Painel AGAS Jovem aborda sucessão empresarial e inteligência emocional na EXPOAGAS 2026

A 43ª Convenção Gaúcha de Supermercados (EXPOAGAS 2026) sediou, na tarde desta terça-feira (18), no Centro de Eventos FIERGS, em Porto Alegre (RS), o painel “Conectando Gerações”, promovido pelo comitê AGAS Jovem. O debate reuniu lideranças do setor varejista e especialistas em governança para analisar os desafios da continuidade dos negócios familiares, a profissionalização de sucessores e o equilíbrio entre a preservação da essência institucional e a adoção de inovações operacionais. Promovido pela Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), o encontro colocou em pauta a relevância da inteligência emocional e do alinhamento de lideranças em empresas de controle familiar.

A mediação foi conduzida pela presidente do comitê AGAS Jovem, Isadora Stangherlin, contando com as apresentações do empresário Jaime Andreazza, da mentora de líderes Bruna Habka e da diretora Comercial e de Marketing da Baly Brasil, Dayane Titon. Durante o painel, a entidade anunciou o lançamento do projeto “Imersão Legado: a preparação de uma geração de valor”, voltado à formação executiva e ao desenvolvimento de competências de gestão para herdeiros e novos executivos do setor.

Capacitação técnica e lançamento do projeto Imersão Legado

A abertura do debate destacou que o processo sucessório exige preparação técnica, vivência prática e acúmulo de repertório antes da tomada de decisões estratégicas. O comitê AGAS Jovem reúne atualmente 240 integrantes e promove visitas técnicas, treinamentos imersivos e programas de troca de experiências entre executivos veteranos e a nova geração de gestores do varejo alimentar.

A iniciativa “Imersão Legado” busca estruturar metodologias de governança familiar, auxiliando o jovem líder a integrar conceitos modernos de gestão sem romper com a cultura operacional construída pelos fundadores.

  • Preparação Estruturada: Foco na conquista de legitimidade executiva por meio do trabalho e do conhecimento técnico.

  • Governança Familiar: Criação de diretrizes para a convivência harmoniosa entre conselho de família e diretoria executiva.

  • Integração de Competências: Alinhamento entre a bagagem histórica dos fundadores e as ferramentas digitais dos sucessores.

A tabela a seguir resume a composição da mesa de debates, as funções institucionais dos palestrantes e as teses centrais apresentadas durante a convenção:

Painelista Função e Organização Tese Central de Apresentação
Isadora Stangherlin Presidente do AGAS Jovem A sucessão exige esforço, dedicação e construção contínua de repertório técnico.
Bruna Habka Mentora e especialista em cultura O cargo de liderança é conquistado pela influência e pela inteligência emocional.
Jaime Andreazza Empresário do varejo gaúcho Rigor profissional, isonomia salarial entre familiares e valorização do prata da casa.
Dayane Titon Dir. Comercial/Marketing da Baly Brasil Controle do ego, foco em resultados e governança para sustentar o crescimento escalar.

Inteligência emocional e liderança por influência no processo sucessório

Ao analisar a dimensão comportamental da transição de comando, Bruna Habka ressaltou que a governança em empresas familiares envolve aspectos políticos e afetivos. A especialista destacou que a preservação da cultura organizacional torna-se um desafio complexo à medida que as companhias expandem suas estruturas e aumentam o número de colaboradores diretos.

A mentora enfatizou a importância do respeito à trajetória dos fundadores, apontando que o reconhecimento do histórico da empresa é condição fundamental para que novas ideias sejam aceitas e implementadas com sucesso pelos times de gestão.

  • Conquista de Legitimidade: O bastão executivo deve ser conquistado por competência e resultados, e não apenas transferido por laço hereditário.

  • Preservação Cultural: Manutenção dos valores fundamentais da marca em fases de forte crescimento corporativo.

  • Gestão de Conflitos: Aplicação de inteligência emocional para intermediar visões distintas entre gerações.

Profissionalização e equidade na gestão corporativa

A trajetória do empresário Jaime Andreazza exemplificou a formação prática de liderança no varejo regional, iniciada aos 14 anos até a consolidação de redes de supermercados. Ao abordar a inclusão da nova geração no organograma da empresa, Andreazza defendeu a aplicação de critérios rigorosos de profissionalização, descartando privilégios decorrentes de vínculos parentais.

A política interna aplicada estabelece que familiares ocupem cargos compatíveis com suas qualificações, submetendo-se às mesmas métricas de desempenho, atribuições e faixas salariais dos demais profissionais da organização. A retenção de talentos internos também foi apontada como pilar estratégico, visto que 98% dos gerentes da companhia foram promovidos a partir das categorias de base da própria empresa.

  • Isonomia Funcional: Equiparação de exigências e salários entre familiares e executivos contratados.

  • Prata da Casa: Valorização da prata da casa para promoção interna a cargos de gerência e diretoria.

  • Valores Inegociáveis: Manutenção rigorosa dos princípios éticos e operacionais estabelecidos no surgimento do negócio.

Superação de conflitos e escala corporativa de longo prazo

A executiva Dayane Titon apresentou o caso de expansão da Baly Brasil, cuja receita saltou de R$ 30 milhões em 2017 para R$ 1,7 bilhão em 2025. A trajetória de crescimento acelerado exigiu a reestruturação da governança interna e a superação de crises operacionais decorrentes do choque de visões estratégicas entre os membros da gestão.

A palestrante destacou que o desalinhamento de egos entre executivos e familiares representa um dos principais riscos à perenidade das organizações. O uso de conselhos consultivos externos, a implementação de rotinas de feedback estruturado e o foco em métricas de desempenho foram citados como ferramentas indispensáveis para garantir a sustentabilidade do negócio.

Indicador de Negócio Métrica / Contexto Corporativo Solução de Governança Implementada
Trajetória de Faturamento Salto de R$ 30 mi (2017) para R$ 1,7 bi (2025) Profissionalização das rotinas financeiras e comerciais
Gargalo de Transição Conflitos de ego e desalinhamento executivo Implementação de conselhos consultivos externos
Cultura Operacional Foco em inovação com respeito ao legado Rotinas periódicas de feedback e alinhamento familiar

Análise Brasil Inovador

O debate promovido pelo AGAS Jovem na EXPOAGAS 2026 toca no ponto mais crítico para a sustentabilidade da matriz comercial gaúcha e brasileira: a longevidade das empresas familiares. A transição de comando não é um mero ato formal de transferência acionária, mas um processo complexo de reorganização da governança e da cultura corporativa. O crescimento exponencial exemplificado no setor de bebidas e a disciplina operacional exigida no setor supermercadista mostram que as companhias familiares só mantêm a competitividade quando substituem o patrimonialismo pela profissionalização rigorosa.

A implementação de conselhos consultivos, a equiparação funcional entre herdeiros e executivos de mercado, somadas ao uso de inteligência emocional para dirimir conflitos, constituem a única salvaguarda contra a mortalidade precoce das organizações. A médio e longo prazo, as redes e indústrias que encararem a sucessão como uma jornada contínua de capacitação técnica e inovação preservação o legado dos fundadores e liderarão a consolidação dos mercados em que atuam.